Destaque

                                                     Oração do Papa João Paulo II pela Família

Ó Deus, de quem procede toda a paternidade no céu e na terra.

Pai, que és amor e vida, faze que cada família humana sobre a terra se converta, por meio de Teu Filho, Jesus Cristo, nascido de mulher e mediante o Espírito Santo, fonte da caridade divina, em verdadeiro santuário da vida e do amor para as gerações que sempre se renovam.

Faze que tua graça guie os pensamentos e as obras dos esposos para o bem de suas famílias e de todas as famílias do mundo.

Faze que as jovens gerações encontrem na família apoio para sua humanidade e para seu crescimento na verdade e no amor.

Faze que o amor reafirmado pela graça do sacramento do matrimônio se revele mais forte que qualquer debilidade a qualquer crise, pelas quais às vezes, passam nossas famílias.

Faze, finalmente, Te pedimos por intercessão da Sagrada Família de Nazaré, que a Igreja, em todas as nações da Terra, possa cumprir sua missão na família e por meio da família.

Tu, que és a vida, a verdade e o amor, na unidade do Filho e do Espírito Santo.

Amém.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SUMÁRIO

 

SIGLAS

OBJETIVO GERAL

APRESENTAÇÃO                         

INTRODUÇÃO       

 

CAPÍTULO I

1. O rosto de nossa Diocese - Onde estamos.

1.1. Aspectos Geográficos           

1.2. Organização da ação evangelizadora       

1.2.1.  Pastorais                  

1.2.2 Movimentos   

1.2.3 Serviços e encontros          

1.2.4 Ministérios leigos     

1.2.5 Pontifícias Obras Missionárias: Infância Missionária

1.2.6 Formação de lideranças                

1.2.7 Meios de comunicação social       

1.2.8 Serviço Social e de Caridade        

1.2.9 Casas de Formação/Seminários  

1.2.10 Realidade que nos interpela

1.2.11 Situação econômica                     

1.2.12 Situação cultural

1.2.13 Realidade Sociopolítica               

1.2.14 Situação Ética e Moral      

1.2.15 Situação Ecológica                       

1.2.16 Situação Religiosa

1.2.17 Situação indígena

                       

CAPÍTULO II

2.1 A luz que nos ilumina - Onde precisamos estar

 

CAPÍTULO III

3.1 Novos rumos para o caminho - Urgências Pastorais

 

CAPÍTULO IV

4.1 Objetivos claros - O que queremos alcançar

 

CAPÍTULO V

5.1.Nosso agir: Quatro exigências da ação evangelizadora

 

CAPÍTULO VI

6.1 A Diocese em ação - O que vamos fazer

6.1.1 As oito urgências na Ação evangelizadora de nossa Diocese

6.1.2 Paróquia em estado permanente de missão

6.1.3 Paróquia: Casa da Iniciação Cristã

6.1.4 Paróquia: lugar de animação Bíblica da vida e da pastoral

6.1.5 Paróquia: Comunidade de Comunidades

6.1.6 Paróquia: Serviço da vida plena para todos

6.1.7 Paróquia: onde nasce a sustentabilidade

6.1.8 Paróquia: Evangelização da juventude

6.1.9 Paróquia em comunhão com as propostas do regional Oeste 2

 

CAPÍTULO VII

7.1 Renovar as estruturas

 

CAPÍTULO VIII

8.1 Organização da Diocese

8.1.2  Comunidade

8.1.3 Paróquia

8.1.4 Assembleia

8.1.5 Forania

8.1.6 Diocese

8.1.7 Assembleia Diocesana de Pastoral

8.1.8 Conselho Presbiteral Diocesano (CPD)

8.1.9 Conselho Econômico

8.1.10 Conselho Diocesano de Pastoral (CDP)

8.1.11 Ministério da Caridade

8.1.12 Coordenação Diocesana de Pastoral

8.1.13 Conselho Administrativo Econômico Paroquial (CAEP)

8.1.14 Serviço de Pastoral

8.1.15 Conselhos e comissões

8.1.15.1 Equipe de formação

8.1.15.2 Colégio de Consultores

8.1.15.3 Cúria Diocesana

8.1.15.4 Secretariado Diocesano de Pastoral

8.1.15.5 Arquivos (Batismo, Casamento, Crisma)

8.1.15.6 Câmara Eclesiástica

8.1.15.7 Chancelaria

8.1.15.8 Departamento de Comunicação

 

CAPÍTULO IX

9.1 Orientações

9.2 O Santíssimo nas comunidades

9.3 Velórios

9.4 RCC

9.5 Igreja Ministerial

9.5.1 Objetivo dos ministérios

9.5.2 O que é preciso para ser Ministro?

9.5.3 Ministérios existentes em nossa Diocese

9.5.4 Curso para Ministros da Palavra

9.5.5 Curso para ministros extraordinários da Comunhão Eucarística

9.6 Coroinhas

9.7 Movimentos

9.8 Informativo

9.9 Casais amasiados

9.10 Casos de declaração de nulidade

9.11 Pastoral social

9.12 Dízimo

9.13 Salão Paroquial

 

CAPÍTULO X

10.1 Orientações administrativas diocesanas

10.2 Introdução

10.3 Conceito de organização

10.4 Administração

10.5 Natureza jurídica

10.6 Cadastro pessoa jurídica

10.7 Núcleo central da organização e da administração eclesiástica

10.8 Contabilidade

10.9 Prazo de entrega da contabilidade

10.10 Documentos fiscais

10.11 Comunidades

10.12 Receitas e despesas

10.13 Prestação de conta das comunidades

10.14 Prestação de conta das Paróquias

10.15 Prestação de conta da Paróquia para a Cúria

10.16 Prestação de conta dos seminários

10.17 Conta de pessoa física

10.18 Conta bancária comunitária

10.19 A quem se aplica?

10.20 Emissão de cheques

10.21 Compras a prazo

10.22 Trabalho humano

10.23 Conceitos do contrato de trabalho

10.24 Legislação trabalhista no Direito Canônico

10.25 Serviço voluntário

10.26 Serviço autônomo

10.27 Processo de transição

10.28 Patrimônio da Igreja

10.29 Documentação legal

10.30 Arquivo

10.31 Registro de bens

10.32 Inventário patrimonial

10.33 Compra e venda de bens patrimoniais

10.34 Construções, reformas e ampliações

10.35 Penalidades

 

CAPÍTULO XI

11.1 Despesas operacionais - manutenção

11.2 Sustentabilidade da Paróquia

11.3 Côngrua do padre

11.4 Férias anuais

11.5 Convênios

11.6 Espórtula

11.7 INSS dos padres

11.8 Plano de saúde

11.9 Sustentabilidade da Diocese

11.10 Repasse das comunidades para a Paróquia

11.11 Coletas anuais

11.12 Previsão orçamentária

11.13 Livros e documentos oficiais

11.24 Sistema informatizado

11.15 Centralização

           Oração do dizimista

  

CAPÍTULO XII

12.1 Diretrizes dos Sacramentos

12.1.1 Apresentação

12.1.2 Introdução

12.1.3 Orientações gerais

12.2 Sacramento do Batismo

12.3 Sacramento da Eucaristia

12.4 Sacramento da Crisma

10.5 Sacramento da Reconciliação

10.6 Sacramento da Unção dos Enfermos

10.7 Sacramento da Ordem

10.8 Sacramento do Matrimônio

 

Consagração a Nossa Senhora Rainha da Paz

 

    

 

 

 

 

 

 

SIGLAS

 

AA - Apostolicam Actuositatem

CEB's - Comunidades Eclesiais de Base

CPP - Conselho Pastoral Paroquial

CAEP - Conselho Administrativo e Econômico Paroquial

CPC - Conselho Pastoral Comunitário

CPD - Conselho Presbiteral Diocesano

CAED - Conselho Administrativo e Econômico Diocesano

CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

CIC - Catecismo da Igreja Católica

CD - Christus Dominus

CREA - Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura

CDC - Código de Direito Canônico

CPT - Comissão Pastoral da Terra

DA - Documento de Aparecida

DNC - Diretório Nacional de Catequese

DEACO - Deus-Amor-Compreesão

DGAE - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil

ECC - Encontro de Casais com Cristo

EN - Evangelii Nuntiandi

FC - Familiaris Consortio

GRENI - Grupo de Reflexão (negros e indígenas).

GS - Gaudium et Spes

LG - Lumen Gentium

MCS - Meios de comunicação social

NA - Nostra Aetate

PO - Presbiterorum Ordinis

RCC - Renovação Carismática Católica

RM - Redemptoris Missio

SC - Sacrosanctum Concilium

Vat. II - Concílio Vaticano Segundo

RICA- Ritual de Iniciação Cristã de Adultos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OBJETIVO GERAL:

"Evangelizar, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária e profética, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida (Jo 10,10), rumo ao Reino definitivo."

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APRESENTAÇÃO

         O Plano 2013 - 2016 é fruto de um longo e árduo trabalho junto às bases.

          Agradecemos e acreditamos que com o trabalho humano de tantas pessoas e com a luz do Espírito Santo, os caminhos foram traçados. Resta-nos percorrer os caminhos numa caminhada conjunta, bem planejada em cada Paróquia, comunidades e Seminários.

          A formação permanente é o fio condutor do Plano, como exigência para a eficiência da evangelização na sociedade atual, ansiosa pela verdade e ao mesmo tempo fragilizada por uma cultura consumista, voltada para as emoções e não para a racionalidade. A formação no Seminário onde será contemplada a pessoa como um todo, de modo especial a formação para a fraternidade presbiteral, num espírito de pobreza e solidariedade. Lembrando que "grande é aquele que serve", valorizando a Igreja ministerial. Assim a formação será para os presbíteros e todos os fiéis.

          O Plano quer ser fiel aos ensinamentos do Magistério em comunhão com a CNBB que aponta como meta Jesus Cristo Caminho, Verdade e Vida, requer a comunhão na vivência prática da conversão pessoal e pastoral, com a capacidade de perdoar e corrigir para sermos fiéis ao espírito e orientações da Nova Evangelização.

          O Documento de Aparecida é fonte inspiradora e as Diretrizes da CNBB nos orientam no trabalho solidário e fraterno. Todos somos irmãos e grande é quem serve a Deus e aos irmãos, na unidade do próprio ser.

          Convoco a todos para uma atitude de fidelidade, para que a união seja vivida no diálogo fraterno, num clima de paz e alegria. Somos mensageiros da esperança. Peço a Deus por toda a Diocese. Que o Coração de Jesus, manso e humilde nos guie e que Nossa senhora Rainha da Paz conceda a paz para todos;

 

Sinop, 08 de dezembro de 2012

 

Dom Gentil Delazari

Bispo diocesano

 

 

 

 

 

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

 

 

         O Plano Diocesano contém as linhas mestras de nossa ação pastoral que pede uma conversão pessoal e pastoral. Nosso método é; ver, julgar e agir.

 

          Em todo o plano as pastorais, movimentos, serviços e ministérios, deverão contemplar a família como base da sociedade humana, social, civil, eclesial e política. Em primeiro lugar está a vida humana, a pessoa feita a imagem e semelhança de Deus.

 

          A evangelização que queremos realizar nas comunidades deverá ser a partir de Jesus Cristo. Diante das urgências, somos chamados a dar nossa resposta através do planejamento e da ação conjunta, orgânica.

A missão é fermento e a Igreja é a casa da iniciação à vida cristã, animada pela Palavra, pela Eucaristia, em comunidade e no serviço.

 

 

 

Dom Gentil Delazari

Bispo Diocesano

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO I

 

1.     O ROSTO DE NOSSA DIOCESE - ONDE ESTAMOS.

Para desencadear processos, o melhor ponto de partida é sempre aquele onde a gente está. Trata-se de colocar os pés-no-chão. Se ignorarmos a realidade, não evangelizamos. As boas respostas pastorais dependem da identificação das verdadeiras necessidades de evangelização. No âmbito da sociedade, é importante levantar dados pelo menos sobre a situação cultural, econômica, política e ecológica. No âmbito religioso, a eficácia da ação pastoral depende também do conhecimento da situação da experiência religiosa e eclesial no próprio contexto. Também não esquecer que para saber onde estamos o processo de conhecimento da própria situação começa com uma avaliação da própria caminhada ou do plano de pastoral vigente.

 

1.1 Aspectos geográficos

A Diocese Sagrado Coração de Jesus de Sinop localiza-se na região amazônica a 500 km de Cuiabá, no centro norte do Mato Grosso. Tem uma extensão de 191.039 km e 30 municípios. A População aproximada é de 543.280 habitantes (IBGE 2011).

Limites: Prelazia de Borba - AM, Prelazia de Itaituba e Prelazia do Xingu - PA, Prelazia de São Felix do Araguaia, Dioceses de Paranatinga, Diamantino e Juína - MT.

A Diocese foi criada a 6 de fevereiro de 1982 pela Bula "Quo aptius", do Papa João Paulo II. Dom Henrique Froehlich, SJ foi o primeiro Bispo Diocesano até 1995, e a partir de 22 de março do mesmo ano, Dom Gentil Delazari assumiu o Pastoreio.

São trinta e três as paróquias que compõem a Diocese de Sinop - MT, divididas em seis foranias: Sinop, Vera, Juara, Colíder, Peixoto de Azevedo e Alta Floresta. Existem aproximadamente 1.200 comunidades eclesiais e lugares de celebração no território diocesano. Temos ainda 20 etnias indígenas, embora nem todas sejam atendidas pela Diocese e sim em outras Dioceses mais próximas.

 

1.2 Organizações da ação evangelizadora

1.2.1 Pastorais: Pastoral Familiar, Pastoral Catequética, Pastoral da Juventude, pastoral da juventude rural, Pastoral Universitária, Pastoral do Batismo, Pastoral do Dízimo, Pastoral Litúrgica, Pastoral da Comunicação, Pastoral da Acolhida, Pastoral Indígena, Pastoral da Pessoa Idosa; Pastoral da Criança, Pastoral Carcerária, Pastoral da Sobriedade, Pastoral da Visitação, Pastoral dos Coroinhas, Pastoral do Menor, Pastoral da Saúde, Comissão Pastoral da Terra - CPT.

1.2.2 Movimentos: Renovação Carismática Católica - R.C.C, Apostolado da Oração, Movimento Sacerdotal Mariano, Movimento Eucarístico Jovem - MEJ.

1.2.3 Serviços e encontros: Caritas, Encontro de Casais com Cristo - ECC; Serviço de Animação Vocacional - SAV; Segue-me, Vicentinos, Monte Tabor, Greni, Fórmula Um, Encontro de Amigos, O Desafio das Máscaras, Chammá, Deus-Amor-Compreensão - DEACO, Mala e Cuia, Curados e restaurados no amor, "Vinde e Vede", Jovens Sarados, Acampamento de Oração. Encontro Amigos de Jesus, Crescei no Senhor, Experiência de oração para casais, Festa do Rei Jesus.

1.2.4 Ministérios leigos: Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, da Palavra, da Esperança, do Batismo, Testemunhas Qualificadas do Matrimônio.

1.2.5 Pontifícias Obras Missionárias: Infância Missionária.

1.2.6 Formação de lideranças: Escola teológica catequética e Bíblica, Escola de Fé Política em parceria com o SEDAC, encontros de formação promovidos pela Diocese e Paróquias, Boa Nova, Grupos de Reflexão, CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), Shalon.

1.2.7 Meios de comunicação social: Informativo e Site Diocesano, programas de rádio Paroquiais e TV Nazaré.

1.2.8 Serviços sociais e de caridade

a. Fazenda Esperança;

b. Casa de Apoio Santa Maria - Sorriso;

c. Casa Bom Samaritano - Juara;

d. Albergue - Terra Nova do Norte;

e. Casa Pinardi (menores) - Alta Floresta;

f. SOS Menino Jesus - Orfanato de Crianças - Sinop;

g. Lar Vicentino - Colíder e Sinop;

h. Centro Social Maria Missionária - Matupá;

i. Centro São Francisco - Para menores - Sorriso;

j. Centro Infantil e Juvenil Edmundo Pojanowski - Peixoto de Azevedo;

k. Projeto Social "Promovendo a Cidadania" - Sinop;

l. Associação dos Amigos da Criança e do Adolescente - Sorriso;

m. Adestec - Obra Pe. Pio - Sinop;

n. Guardiões da cidadania - Alta Floresta;

o. Centro de encontro - lar do idoso e deficiente. Nova Bandeirantes;

p. Clube de mães;

q. Caritas Diocesana;

r. Casa de Apoio João Salarini - Sinop;

s. Centro Social Mãezinha do Céu - Sorriso.

 

1.2.9 Casas de formação/seminários

- Seminário Maior São João Maria Vianney - Diocesano - Várzea Grande/MT;

- Seminário Propedêutico São José - Diocesano - Sinop/MT;

- Seminário Pe. Dingler - Dehoniano - Novo Horizonte do Norte/MT;

-Casa de Acolhida Nossa Senhora do Carmo - Cavanis - Guarantã do Norte/MT.

-Casa  de formação das religiosas e das missionárias leigas.

 

1.2.10 Realidade que nos interpela

Para realizar uma ação evangelizadora eficaz e, partindo do eixo central: família é preciso considerar que a realidade em que vivemos é dinâmica, com profundas transformações em todos os níveis: econômico, político, social, religioso, cultural, educacional, tecnológico e ecológico.

Nestes tempos de agudo apelo ao individualismo hedonista e de fortíssimo consumismo, deparamo-nos com o surgimento de propostas religiosas que dizem oferecer o encontro com Deus sem o efetivo compromisso cristão, e a formação de comunidade. Enfraquece a imagem do Deus Pai que está atento  às necessidades das pessoas, que cuida inclusive das aves Céu e dos lírios do campo. (Lc 12,25-28). Surge a imagem do Deus da troca, do negócio, dando a impressão de que Ele se encontra mais preocupado com o que pode lucrar através dos pedidos e reivindicações, notadamente dos que sofrem. Em tudo isso, o discípulo missionário reconhece que não pode existir caminho para o Deus revelado em e por Jesus Cristo, se não houver amor (1Jo 4,7.20-21). O discípulo missionário sempre desconfiará (1Jo 4,1) das propostas religiosas que não brotem do amor nem levem a ele.

Viver, pois, o encontro com Jesus Cristo implica necessariamente amor, gratuidade, alteridade, unidade, eclesialidade, fidelidade, perdão e reconciliação. Torna o discípulo missionário firmemente enraizado e edificado em Cristo Jesus (Ef 3,17; Cl 2,7), à semelhança da casa que se constrói sobre a rocha (Mt 7,24-27). E, assim, cada discípulo missionário, junto com toda a Igreja, comunidade dos discípulos missionários, torna-se fonte de paz, justiça, concórdia e solidariedade. Significa contemplar Jesus Cristo em constante atitude de saída de si, de desprendimento e esvaziamento. Significa acolher o mistério divino como contínuo transbordar do amor do Pai pelo seu povo  (DGAE 15 e 16).

 

1.2.11 Situação econômica

Nossa diocese localiza-se num campo promissor em termos econômicos, mas são também evidentes os problemas. Constata-se um acúmulo de riquezas nas mãos de poucos e, consequentemente o empobrecimento de um número sempre maior de pessoas.

A concentração da renda gera desigualdades sociais, um êxodo rural cada vez mais acentuado em busca de uma qualidade de vida melhor, desembocando muitas vezes em crises familiares.

Os pequenos agricultores nos assentamentos e nas demais áreas da Diocese são desassistidos no campo da saúde, da educação, da moradia, da regularização fundiária e os operários nem sempre são assistidos pelos direitos trabalhistas. Muitas famílias mudam para a cidade, com a esperança de uma melhoria de vida. A falta de políticas agrícolas para a agricultura familiar leva à procura de emprego, e ensino médio e de ensino superior longe de casa, causando grande migração interna e gerando insegurança e instabilidade familiar.

O modelo de desenvolvimento econômico é de cunho capitalista-consumista, que privilegia o mercado financeiro e prioriza o agronegócio, levando à expansão da pecuária extensiva, da avicultura, da suinocultura e das monoculturas - soja, algodão e milho - em detrimento da agricultura familiar e da reforma agrária. A região configura-se como a maior produtora de soja do País.

Necessitamos de uma economia que assegure emprego e geração de renda, de políticas públicas para fomentar a diversidade econômica da região assegurando um índice de desenvolvimento humano (IDH) mais elevado.  Há que se harmonizarem os diversos interesses econômicos e sociais com a necessidade de preservar os ecossistemas e sua riqueza biológica. Não se trata de pensar a região Amazônica como área intocável, mas de identificar formas de uso que, ao mesmo tempo, valorizem os recursos naturais regionais, incentivem sua conservação e gerem renda.

A atividade econômica na área de influência da BR-163 está fortemente assentada no setor primário. Há um forte predomínio da agricultura (principalmente soja, milho, arroz e algodão) da pecuária bovina e da exploração madeireira. A indústria tem expressão bem menor, embora crescente, e concentra-se principalmente no processamento da madeira e, em menor escala, de grãos e carne, enquanto o comércio e os serviços estão concentrados nas cidades. A mineração declinou a partir dos anos noventa e a

exploração de produtos florestais não madeireiros, muito promissora, ainda tem peso pequeno na economia regional. Atualmente existe o impacto da construção de usinas hidroelétricas e a volta dos garimpos.

Há ainda um grande fluxo migratório de pessoas com baixa escolaridade, e, com isso um grande aumento populacional acompanhado de desemprego e subemprego, sobretudo, nas cidades maiores. O processo de passagem do extrativismo e da mineração para a agricultura familiar é ainda bastante difícil em algumas regiões.

 

 

1.2.12 Situação cultural:

A colonização no norte do Mato Grosso, se deu a partir de 1970 teve como característica a colonização privada de colonizadores oriundos do Sul e Sudeste do país. Estes privilegiaram-se como ocupantes das terras que passaram a vender a agricultores originários do Sul do Brasil.

As propagandas funcionavam como um recurso estratégico para atrair famílias da região Sul do Brasil para uma terra em que "tudo" produzia, "com destaque para a fertilidade do solo apresentado como apropriado para o plantio do café". Essas propagandas - especialmente no cerne da ideologia militar do período, se valeram de discursos e imagens de extrema carga apelativa, pautadas pela convocação dos novohabitantes a esses espaços considerados "vazios", tais como, "integrar para não entregar e levar homens sem terra para terras sem homens" (BARROZO, J. C, 2008 p. 21).

Assim, "migrar para Mato Grosso significaria encontrar terras férteis, lucros fáceis e ascensão social". O processo de ocupação das terras matogrossesses, transformou o migrante em colono que, através da luta cotidiana, carregou a bagagem cultural herdada no processo de formação da comunidade e da organização produtiva baseada no modelo familiar. Assim, foi recriada uma identidade territorial com diferentes grupos sociais, consolidando movimentos de base popular em um espaço regional que valorizavam os símbolos identitários (tradição, cultura, valores, língua, religião).

Em relação aos migrantes vindos do meio rural do Sul do país e assentados no norte de Mato Grosso pode-se fazer a seguinte análise ou observações: a migração para estas famílias constituiu algo dramático em função das perdas numerosas que implicou: pessoas, lugares, culturas, costumes, trabalho etc., aos quais estão ligados lembranças e afetos que nestes momentos são intensificados e tem que ser abandonados forçosamente. Tal multiplicidade e simultaneidade de perdas repercutiram na realidade interna do indivíduo ou da família de forma mais ou menos intensa, chegando a colocar em risco a própria identidade e a possibilidade de reconstruir a vida no novo habitat. (SCHAEFER, 1958, p. 159).

Como forma de manter os colonos no projeto de colonização, criaram-se comunidades, escolas, cooperativas, centros sociais, áreas de lazer, nos moldes das regiões de onde vieram.

Formou-se uma equipe para ampliar um programa de desenvolvimento comunitário com eleição de líderes em cada comunidade, culminando numa rede de lideranças locais, como a direção da Igreja, do grupo de jovens, da organização do culto aos domingos entre outras, agregando valores tais como: crenças, usos e costumes, cotidianos, lazer e descendência. A religião tinha uma função muito importante de integração, de auxílio no enraizamento das famílias. Em todos os lugares existiam pequenos salões, igrejinhas construídas pelo próprio povo, onde os recém-chegados eram acolhidos e onde amigos eram reencontrados.  A religião tinha uma função muito importante de integração para as famílias. Deus passou a ocupar um lugar todo
especial, até por não poder recorrer muito às pessoas e ao poder público ainda inexistente, devido às distâncias e adversidades em geral.

As festas religiosas ocupavam um lugar muito importante na vida das famílias que moravam espalhadas nas matas. A Igreja e as escolas começaram a ser as primeiras construções com finalidades comunitárias. Cada comunidade com
seu padroeiro, dirigentes, coordenadores etc. A religião passou a ser um ponto de segurança dos migrantes.

Com relação à escola, esta se configurava com vários significados além do educacional.
Tornou-se também responsável pela formação de uma identidade cultural recriada e reconstruída a partir da realidade com homenagens cívicas. Quanto ao lazer, este se mesclava com o jogo de bocha, o tiro de laço, o jogo de futebol e de malha, os bailes e matinês dançantes. O contexto sociocultural na comunidade girava em torno do centro comunitário. Por meio de rezas, das festas e dos jogos desenvolveu-se uma organização de líderes locais. Os Centros de Tradições Gaúchas encontrados em quase todas as cidades tem sido ponto de referência para promover os bailes típicos, curso de danças sulista, competições esportivas como o jogo de bocha, o tradicional churrasco gaúcho e a missa crioula.  O CTG continua sendo uma maneira de manter alguns costumes gauchescos fora do Rio Grande do Sul.

São destaques as festas juninas e as cavalgadas. Bem como, as exposições agropecuárias como expressões das conquistas e socialização nos níveis agropecuários, agronegócio, agricultura sustentável, comidas típicas e artesanatos locais e regionais. São promovidas através da secretaria de cultura de cada cidade exposições internacionais, nacionais, regionais e locais, com realce para as expressões indígenas.

Hoje, apesar das deficiências na educação, cresceram os centros universitários, (UNEMAT, UFMT e outras faculdades particulares). Houve investimento em bibliotecas, ciência e tecnologia, sobretudo no setor de implementos agrícolas, em cursos técnico-agrícolas (EMBRAPA), na área da comunicação e implantação de novas mídias, possibilitando inclusive Educação à distância (EAD).

 

1.

2.13 Situação sócio política

Desde o início da evangelização, nossa Diocese se preocupou com o social e, sobretudo com a saúde. Sempre tivemos religiosas dedicadas aos postos de saúde e no tratamento da malária. A pedido de Dom Henrique foi instituída a Fundação de saúde comunitária de Sinop - Hospital Santo Antonio que hoje administra também as urgências e emergências (PA) do Hospital Regional de Sinop e região.

O sistema de saúde público é muito precário, deixando as pessoas em fila de espera durante meses e, em muitos casos, ainda não são atendidas. O acesso a hospitais e tratamentos necessários é muito difícil e limitado; faltam pessoas qualificadas, estruturas e materiais adequados. Em relação às especializações, há na região exames específicos. O acesso, contudo, não é para todos. A educação está concentrada nos centros urbanos. As crianças são deslocadas das comunidades e expostas a estressantes viagens cotidianas, prejudicando o rendimento escolar.

Falta saneamento básico e investimento na limpeza das vias públicas.  Faltam albergue para atender os andarilhos. Faltam investimento nos presídios existentes. A questão habitacional é bastante crítica por conta do êxodo rural e urbano. Temos ainda o impacto das usinas hidroelétricas, estradas mal conservadas e falta de políticas públicas nos assentamentos. Há indícios de trabalho escravo na região.

A ocupação da região seguiu-se à abertura da BR-163 no início dos anos setenta, como já foi mencionado, consolidando-se com os projetos privados de colonização dos anos oitenta.

No Norte do Mato Grosso, a taxa de urbanização é maior. Quanto à infraestrutura, não obstante às deficiências, trata-se da região mais bem dotada, tanto em relação à malha de transportes, quanto à energia elétrica, comunicação e armazenagem.

Esta região é, ainda produtora de madeira. Por outro lado, dado o forte avanço da agricultura e a não perenização da atividade florestal por meio dos planos de manejo, fez esta entrar em decadência em vários Municípios.

No Estado Mato Grosso, que se tornou o principal produtor de gado do País, destaca-se o avanço da produção de leite, estimulada pela implantação da indústria de laticínios (EMPAER).

O extremo Norte do Mato Grosso constitui-se, hoje, em um exemplo das possibilidades de organização dos pequenos produtores, mobilizando, inclusive, ampla associação de  Municípios e incluindo os grupos indígenas que possuem uma extensa área. A garantia da permanência na terra e o avanço de sua organização socioeconômica e política são objetivos do Governo e da sociedade local. Para tanto são necessários a regularização fundiária, a implantação de planos diretores municipais, o barateamento do preço das telecomunicações e da geração e expansão das redes de energia, bem como transporte dos produtos. O Governo precisa continuar investindo na produção florestal sustentável.

 

1.2.14  Situação ética e moral

A ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana, e a moral é qualidade desta conduta sob o ponto de vista do bem e do mal.

O ser humano só se realiza no encontro com outros seres humanos. Todas as suas ações e decisões afetam as outras pessoas. Na convivência entre os homens são necessárias regras que coordenem e harmonizem esta relação. Assim, a ética é uma característica inerente a toda ação humana. É inerente a todo o ser humano o senso ético e a consciência moral, que o leva a avaliar e julgar suas ações para saber se elas são boas ou más, certas ou erradas, justas ou injustas. Entretanto, não é o que se percebe em muitos homens públicos do Brasil. Porém, é importante citar algumas iniciativas positivas, entre as quais algumas lideradas pela Igreja católica, tais como: participação nos Conselhos municipais, apoio na aprovação da lei da Ficha Limpa o que demonstra um crescimento da consciência ética na política.

Diante do quadro de pobreza, dos sérios problemas que vivemos em termos de educação, saúde, desemprego, violência e de ações que destroem o nosso ecossistema, é bastante salutar que as organizações assumam o seu papel social e contribuam eficazmente para o desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida no planeta. E que através deste movimento e do exemplo dos seus líderes contribuam para resgatar a ética nos relacionamentos humano e nos negócios.

Há que se refletir em vários problemas éticos, tais como: as questões de bioética (vida intrauterina e desenvolvimento humano, célula tronco embrionária, aborto, eutanasia, legalização de uso de drogas, Divórcios, uniões homoafetivas, relações abertas entre casais, tráfico humano e a banalização do sexo).

Há uma busca desenfreada do individualismo e do subjetivismo que somada à desestruturação familiar, tem consequências graves, tais como: dependência química, separações, depressão e mortes precoces.

A educação e a catequese precisam trabalhar os valores éticos e morais.

Constata-se ainda uma crise que perpassa todos os escalões sociais, educacionais, religiosos e culturais. O consumismo tomou conta e o critério de tudo é o prazer, o hedonismo (DGAE, n. 18). O povo é carente de formação que acenda o senso crítico, o que tem como consequência o permissivismo e o relaxamento diante dos valores cristãos.

É uma preocupação da Diocese, formar pessoas qualificadas e comprometidas com os valores éticos morais, investindo na capacitação de líderes que tenham os recursos necessários para responderem às questões vitais de nossa sociedade atual. A escola de fé e política, de acordo com o ensinamento social da Igreja, merece destaque.

 

 

1.2.15 Situação ecológica

Nossa diocese está dentro do bioma da Amazônia. Esse bioma vem sofrendo por causa dos latifúndios, do agronegócio, queimadas, destruição das matas ciliares, poluição das águas com o retorno dos garimpos e do depósito de lixo à beira de rios. Há cidades sem o saneamento básico.

Constata-se também que, da parte das autoridades públicas que incentivaram a colonização do Norte do Mato Grosso com o "integrar para não entregar", que hoje através de novas leis proíbem aos moradores a abertura de novas áreas, com pouca possibilidade de apresentar programas alternativos no âmbito da preservação ambiental para que a população possa ter outros meios de subsistência, além do manejo da madeira, extração de ouro, da agricultura e da pecuária. Paira no momento um receio quanto ao zoneamento da produção.

Muitas pessoas se prendem à ideia de que defesa do meio ambiente é coisa para as entidades e ONGS que trabalham em defesa das florestas e animais em extinção. A preservação do planeta começa pela preservação e cuidado com o nosso quintal. É preciso estar atentos à coleta seletiva e cobrar também das autoridades locais. Preservar e cuidar do meio ambiente é uma responsabilidade ética diante da própria sobrevivência humana. (Fonte: www.webartigos.com/artigos/ecologia-e-meio-ambiente).

A Diocese vem incentivando as paróquias a realizarem a reciclagem do lixo, a criação do adubo orgânico, a coleta seletiva nos encontros e festividades, o reflorestamento das nascentes, a restauração das matas ciliares, o plantio de mudas nas áreas das comunidades, nas ruas dos bairros e construção de calçadas ecológicas através de parcerias com organismos da sociedade. Caminhamos para uma maior conscientização de aliar produção com preservação, sustentabilidade.

 

 

1.2.16 Situação religiosa

No campo religioso nossa diocese é atingida também pela mentalidade individualista que não combina muito com a afirmação de que somos filhos do mesmo Pai. O indivíduo, "mesmo aderindo a uma instituição religiosa, tende a escolher crenças, ritos e normas que lhe agradam subjetivamente ou se refugia numa adesão parcial, com fraco sentido de pertença institucional." (DGAE, n. 31).

Também constata-se uma tendência à inversão de sentido da experiência religiosa, isto é, a religião não é tanto vivida como uma forma de reconhecimento, adoração e entrega ao Criador, obediência na fé, serviço a Deus e vivência comunitária e sim como utilidade, por oferecer bem-estar interior, terapia ou cura de males, sucesso na vida e nos negócios. (DGAE, n. 48). Diante de tal realidade, temos alguns aspectos desafiadores, tais como:

-Uma Igreja mais atenta com a formação, ajudando as pessoas assumirem seu compromisso batismal.

-Uma Igreja ainda demasiadamente clerical, carente de lideranças leigas que fortaleçam o discipulado e a missionariedade na Igreja.

-Uma Igreja carente de unidade e corresponsabilidade presbiteral.

-Uma Igreja concentrada nos adultos, descuidando-se dos jovens e das crianças.

-Uma Igreja que ainda é voltada para si, esquecendo as grandes necessidades e urgências sociais.

-Uma Igreja que tem dificuldade de abraçar a pastoral orgânica, ocorrendo, muitas vezes, por isso, uma lamentável concorrência entre pastorais, serviços e movimentos em detrimento da fraternidade e da solidariedade.

-Uma Igreja em que algumas foranias não contemplam a dinamização das pastorais, o fortalecimento do presbitério e a valorização do potencial das (os) religiosas (os).

-Uma Igreja que apesar das escolas teológicas catequéticas e de fé e política, muitos leigos sentem-se despreparados para participar na transformação social, econômica e política.

-Uma Igreja com pouca qualificação para o uso dos meios de comunicação social.

-Uma Igreja com pouca presença nas escolas.

-Uma Igreja que esteja atenta à construção de comunidades nos novos bairros, glebas e vilas.

-Uma Igreja que seja acolhedora e que tenha um despertar missionário, indo ao encontro dos afastados.

- Uma Igreja que precisa descentralizar, realizando encontros nas foranias para contribuir no fortalecimento das equipes paroquiais, criando redes de comunidades.

-Uma Igreja onde nem todas as paróquias assumem o plano diocesano de pastoral.

-Uma Igreja que devido a sua extensão geográfica ainda se encontra no processo de organização pastoral e administrativa.

Tendo apresentado os desafios que nos inquietam, queremos nos alegrar com tantas lideranças que assumem o anúncio evangelizador na gratuidade, no cotidiano das comunidades, favorecendo a visibilidade dos sinais do Reino e o testemunho da esperança.

Diante disso, nossa Diocese, comunga com as diretrizes gerais da ação evangelizadora que dizem: "O serviço testemunhal à vida, de modo especial à vida fragilizada e ameaçada, é a mais forte atitude de diálogo que o discípulo missionário pode e deve estabelecer com uma realidade que sente o peso da cultura da morte. Na solidariedade de uma igreja samaritana, o discípulo missionário vive o anúncio de um mundo diferente, que, acima de tudo, por amar a vida, convoca à comunhão efetiva entre todos os seres vivos".  (DGAE nº 72). Destacamos alguns destes sinais:

-Uma Igreja empenhada no testemunho e na vivência da fé, na formação de grupos de reflexão e de lideranças.

-Uma Igreja que intensifica a participação e o engajamento na vida da comunidade.

-Uma Igreja que favorece o nascimento das escolas de formação para lideranças e os cursos em diversos níveis.

-Uma Igreja que se esforça para que as celebrações sejam participativas.

-Uma Igreja, onde o despertar da consciência para o dízimo está crescendo.

-Uma Igreja que investe na formação diocesana, regional e nacional.

-Uma Igreja que tem a graça de ter padres em todas as paróquias, atuando com grande dedicação e desprendimento.

-Uma Igreja que conta com o testemunho e empenho dos religiosos e religiosas.

-Uma Igreja rica de pastorais, serviços e movimentos.

-Uma Igreja capaz de servir na gratuidade, seja nas pastorais, serviços e movimentos, como também nas comemorações religiosas.

-Uma Igreja que no Regional Oeste 02 (Mato Grosso) está contribuindo para o alavancar missionário, inclusive liderando e assessorando diversas pastorais, serviços e movimentos.

- Uma Igreja que conta com a presença das religiosas no serviço de evangelização.

- Uma Igreja que há 34 anos é beneficiada com o Projeto de parceria "Projetos Igrejas - Irmãs" (Santa Cruz-RS - Sinop), no momento em processo de avaliação.

 

1.2.17 - Situação indígena

Nossa Diocese é o habitat de vinte etnias indígenas.  A maioria se localiza no Parque Nacional do Xingú e imediações.

Na região de Juara vive uma parcela dessas etnias: Apiaká, Kayabi, Mundurucú e Rikbaksa. Estes últimos são atendidos pela Diocese de Juína. Habitam esta região desde tempos imemoráveis e tem aí suas terras demarcadas.

A Igreja mantém contato com estes povos desde 1955 e mais intensamente desde 1960. Os Jesuítas e as Irmãzinhas da Imaculada Conceição marcam presença até hoje. Nas décadas de 1960 e 1970 foram auxiliados por leigos católicos voluntários, inicialmente austríacos (OED) e depois OPAN (Operação Anchieta = Operação Amazônia Nativa). Hoje estes povos indígenas já tocam a vida de forma bastante autônoma.

Na região do Rio dos Peixes (Juara) vivem distribuídas três aldeias principais e, mais cinco aldeias menores. Sua base de subsistência é a agricultura, a caça, a pesca e a coleta.

Recentemente estão entrando alguns recursos salariais, que permitem algumas melhorias no estilo de vida, tais como: casa, utensílios domésticos, etc. Também já usufruem de água tratada, energia, telefone e internet.

Nosso trabalho se resume mais especificamente ao atendimento religioso e assessoria na educação.

Convivendo longos anos com estes povos, pudemos entrar num processo de evangelização diferenciado, circunstancial, específico e de forma bastante inculturada, ou seja, mais adaptada ao ritmo de vida e à cultura deles.

Algumas aldeias já têm catequistas e agentes de pastoral autóctones. Outros estão em formação. As escolas estão totalmente em suas mãos, com pessoal capacitado no ensino Médio e Superior. Na saúde há bastante dependência, via FUNASA. Sempre que possível participam dos movimentos indígenas, nas diversas esferas.

No Parque Nacional do Xingú, vivem 14 etnias e mais três nas suas imediações. Estes têm como referência as cidades de Querência (Alto Xingú), Sinop (Médio Xingú). Em Colider e Novo Progresso estão os Kaiapós, Panarás e Terenas.

Recentemente um grupinho de Tenetehara, vindo do Maranhão, se instalou provisoriamente nas imediações de Sinop.

De alguma forma esta realidade deveria afetar, ou porque se trata de comunidades cristãs, parcelas do Povo de Deus e da nossa Igreja, ou porque se trata de pobres necessitados que ainda não tem condições dignas de vida (Tenetehara = migrantes, sem terra, acampados à beira da estrada). Está aí, um desafio para todos nós, no sentido de tomarmos consciência desta realidade ou, quem sabe, algum tipo de apoio e compromisso mais concreto.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO II

 

2.    A LUZ QUE NOS ILUMINA - ONDE PRECISAMOS ESTAR.

A vida e a missão do discípulo-missionário de Jesus Cristo, segundo as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil nos últimos tempos, consistem no exercício do tríplice múnus, recebido no Batismo: ministério da Palavra, ministério da Liturgia, ministério da Caridade (LG 25-27; 34-36; PO 4-6).

1.    Precisamos estar em constante e permanente estado de missão.

2.    Estar presente nas universidades, escolas, presídios e centros comunitários.

3.    Precisamos de uma maior integração dos Presbíteros com as pastorais, serviços e movimentos e dessas entre si.

4.    Precisamos sair de uma catequese que só prepare para os sacramentos, e assumir uma catequese evangelizadora, transformadora, comprometedora, que forme discípulos e missionários, nos moldes da iniciação à vida Cristã.

5.    Precisamos colocar todos os organismos da Igreja em prática, descentralizar as funções e exercer com responsabilidade a missão.

6.    Precisamos formar e trabalhar o CAF (Centro de Apoio à Família) nas paróquias.

 

           MINISTÉRIO DA PALAVRA:

A proclamação da Palavra de Deus pela Igreja é decisiva para a fé do cristão, já que ela possibilita o acolhimento livre do anúncio salvífico da pessoa de Cristo, acolhimento esse possibilitado pela atuação do Espírito Santo (1Cor 12,3). É através da pregação do querigma que acontece um autêntico encontro com Jesus Cristo; por isso ele deve ser uma oferta imprescindível a todos (DAp 226a).

- Precisamos por em prática a proposta de "família com a Bíblia na mão"; Prática de Leitura Orante; Cursos Bíblicos; grupos de reflexão e valorização das CEBs.

 

           MINISTÉRIO DA LITURGIA:

A liturgia ocupa, na ação evangelizadora da Igreja, um lugar essencial. Conforme o Concílio Vaticano II, ela é "o cume para o qual tende a ação da Igreja e, ao mesmo tempo, a fonte de onde emana toda a sua força" (SC 10). Nela, o discípulo realiza o mais íntimo encontro com o seu Senhor e, dela, recebe a motivação e a força máximas para a sua missão na Igreja e no mundo.

- Precisamos avançar na qualificação do uso dos meios de comunicação  (PASCOM), como: Missa e programas transmitidos pelo rádio e pela TV; Celebrações bem preparadas e atraentes; Cursos de liturgia e de canto litúrgico, documentos da Igreja, missas mais dinâmicas que atraiam também o adolescente e o jovem.

 

 

 

 

 

MINISTÉRIO DA CARIDADE:

Se as fontes da vida da Igreja são a Palavra e o Sacramento, o centro da vida cristã (DCE 1) é a caridade, o amor-doação, o amor que vem de Deus mesmo (Rm 5,5) e que o apóstolo Paulo aponta como o mais alto dos dons (1 Cor 12,31). "Toda a atividade da Igreja é a manifestação de um amor que procura o bem integral do ser humano" (DCE 19), amor esse que "é o melhor testemunho do Deus em que acreditamos" (DCE 31). O amor cristão tem duas faces inseparáveis: faz brotar e crescer a comunhão fraterna entre os que acolheram a Palavra do Evangelho e leva ao serviço a todos, particularmente aos mais pobres (At 3,1-9; 6,1-6; 9,36-42; 20,33-35; NMI 49-53; DAp 161).

        - Precisamos vivenciar a caridade em todas as suas dimensões: social,    política, comunitária, pessoal e religiosa; Apoio aos projetos sociais da caritas diocesana e paroquial; Participação em campanhas que promovam a vida; Fazer parceria com projetos sociais do município. Participar dos conselhos municipais.

 

A vivência do tríplice múnus, vocação e missão de cada batizado, conforme as Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil têm indicado nos últimos tempos, se dá no âmbito da pessoa, no âmbito da comunidade e no âmbito da sociedade. Eles constituem tanto o espaço como as realidades onde o Evangelho precisa ser encarnado. Pessoas evangelizadas, ao se fazerem dom, transbordam na comunidade, que, por sua vez, enquanto comunidade eclesial existe para o serviço de Deus na sociedade.

 

ÂMBITO DA PESSOA:

A fé cristã é, antes de tudo, adesão pessoal à pessoa de Jesus Cristo e

ao seu Evangelho, acolhida do dom gratuito que vem de Deus. É a pessoa o sujeito de toda a realidade que lhe circunda, o ser capaz de descobrir seu sentido e governá-la (Gn 2,20). Por isso, não podemos deixar de reconhecer e valorizar cada pessoa, em sua liberdade, autonomia, responsabilidade e dignidade. A ação evangelizadora implica, antes de tudo, em respeitar e promover a dignidade de todas as pessoas.

- Precisamos encantar as pessoas com a proposta de Jesus, respeitando as diferenças e nível de formação; fazer a pastoral da acolhida e da visitação; Estar perto dos mais fragilizados; Amá-las com a ternura de Jesus e fazer reiniciação à Vida Cristã.

 

ÂMBITO DA COMUNIDADE:

A fecundidade da comunhão que vem de Deus nos impulsiona para a vida em comunidade e para a transformação da sociedade (DP 327). Criada à imagem e semelhança do Deus-Trindade, do Deus que é amor e comunhão, a pessoa só se realiza plenamente à medida que se faz dom numa experiência concreta de comunidade. Em nossos dias, é, portanto, indispensável proclamar que "Jesus convoca a viver e caminhar juntos. A vida cristã só se aprofunda e se desenvolve na comunhão fraterna" (DAp 110). É preciso estar preparados para gerar o fascínio pela vida de irmãos, acolher os que chegam, permitir-lhes o amadurecimento na fé e sair em missão (DAp 159).

- Precisamos implantar e fortalecer o Conselho Pastoral Paroquial, o Conselho Pastoral Comunitário e o Conselho para Assuntos Econômicos Paroquiais; Participação efetiva dos cristãos dentro de sua comunidade; organizar e fortalecer as pastorais; A comunidade tem a tarefa de observar as dificuldades da localidade e, trabalhar para estreitar laços, gerando a unidade; Efetivar e compreender a pastoral orgânica, criando os conselhos; Estar atentos à realidade, com uma visão aberta e holística, que nos permita acolher e acompanhar o comportamento sócio político, econômico, cultural, religioso, quanto à importância do desdobramento dos mesmos na vida das pessoas; Devemos estar no meio do povo e não só dentro da estrutura da Igreja, ter liderança missionária para acolher e acompanhar as pessoas; Setorização das paróquias, gerando uma Igreja, comunidade de comunidades.

 

ÂMBITO DA SOCIEDADE:

Diz o Vaticano II que a Igreja não é deste mundo, mas está no mundo e existe para a salvação do mundo (LG 5). Por isso, a Igreja é chamada a ser sacramento de amor, de solidariedade e de justiça entre nossos povos (DAp 395 e 396). O compromisso social, pois, tem sua raiz na própria fé. O interesse autêntico e sincero pelos problemas da sociedade nasce da solidariedade para com as pessoas (GS 1) e do encontro pessoal e comunitário com Jesus Cristo. A partir do Batismo, todo cristão passa a participar dessas três funções do Salvador. O tríplice múnus - anunciar a Palavra, celebrar os Sacramentos, realizar o Serviço da Caridade - é o modo de cada cristão ser no mundo e, consequentemente, é o modo de a Igreja agir no mundo tendo em vista a pessoa, a comunidade e a sociedade. Toda estrutura para a evangelização e todos os serviços da Igreja via pastorais, serviços e movimentos,  não serão completos se, apesar do que lhes é específico, descuidarem destes três deveres.

- Precisamos estar presente nas universidades, escolas, centros comunitários; marcar presença na realidade política da cidade e  estar atentos às questões discutidas no Congresso Nacional.

Ir ao encontro dos afastados e excluídos da Igreja e da sociedade;

Usar novos métodos e novas estratégias sem perder a simplicidade

Ter maior consciência ecológica e estar atentos às mudanças sociais;

 

 

ÂMBITO DA FAMÍLIA:

Um olhar especial merece a família, patrimônio da humanidade, lugar e escola de comunhão, primeiro local para a iniciação à vida cristã das crianças, no seio da qual, os pais são os primeiros catequistas. Tamanha é sua importância que precisa ser considerada um dos eixos transversais de toda a ação evangelizadora e, portanto, respaldada por uma pastoral familiar intensa, vigorosa e frutuosa. A pastoral familiar poderá contribuir para que a família seja, de fato, lugar de realização humana, de santificação na experiência de paternidade, maternidade e filiação e da educação contínua e permanente da fé.  (DGAE 108)

 

- Precisamos intensificar e entender a Pastoral Familiar como eixo de todas as pastorais, tendo em vista que a família é a célula básica da sociedade e precisa ser amparada, protegida e evangelizada. Nela, imagem da Trindade, a pessoa aprende a ser social ética e religiosa.

Ser parceiros nos processos sociais, apoiando as famílias e sendo acolhedores nas diferenças.

Criar e apoiar o CAF (Centro de Apoio à Família).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CAPÍTULO III

 

 

3.    NOVOS RUMOS PARA O CAMINHO - URGÊNCIAS PASTORAIS                               

Debruçar-se sobre a realidade sociocultural e religiosa eclesial, à luz do horizonte da fé cristã e do desejo da Igreja que é o Reino de Deus, nos leva a identificar algumas urgências pastorais no contexto atual. No Capítulo V das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora do Brasil foram indicadas cinco: Igreja em estado de missão, Igreja como casa da iniciação cristã, animação bíblica de toda a pastoral, Igreja como comunidade de comunidades e Igreja a serviço da vida plena. No processo de planejamento, cada Igreja Particular irá averiguar em que medida estas urgências correspondem aos desafios reais de seu contexto e se alguma outra em particular pode ser somada a elas. Eis algumas urgências que as paróquias conseguiram identificar, mas elas serão retomadas nos capítulos 5 e 6.

1.    Fortalecimento da pastoral da Juventude e do Setor Juventude.

2.    Fomentação, implantação e incentivo da Pastoral da Criança.

3.    Formação de Ministros da Palavra e da Comunhão Eucarística e de lideranças.

4.    Formação Bíblica e catequética.

5.    Resgatar o espírito missionário da igreja. Igreja em contínuo estado de missão.

6.    Refletir sobre o afastamento dos católicos, analisar os motivos e ir ao encontro deles.

7.    Incentivar a pastoral familiar e as vocações.

8.    Ressaltar a importância da acolhida nas comunidades e os trabalhos em conjunto com os Conselhos: Diocesano, Paroquial, comunitário e o CAEP.